Segunda-feira, Dezembro 01, 2008

Fins.

Método 1:

O sonho acabou

A vida continuou

O tempo passou

A felicidade desertou

O coração acelerou

A solidão espreitou

O passo fraquejou

A porta fechou

O homem calou

A morte levou

Método 2:

O sonho acabou a vida continuou o tempo passou a felicidade desertou o coração acelerou a solidão espreitou o passo fraquejou a porta fechou o homem calou a morte levou o sonho acabou

Domingo, Junho 10, 2007

Pride...

É doloroso.

A cada momento sinto adentrar mais fundo em meu cérebro um objeto pontiagudo que causa uma dor indescritível.

Sinto que meus movimentos começam a cessar devido à dor. Estou ficando paralisado.

...

Tenho uma certa tendência ao exagero metafórico. Isso tudo se deve à sensação de se sentir desprezado. Deve-se também ao ciúme e ao despeito. Deve-se à condição humana de ser eternamente perdedor.

Minha situação piora quando penso que estou fazendo tudo errado. Piora mais ainda quando penso na distância que está se tornando cada vez maior.

Talvez um universo de distância.

Domingo, Maio 13, 2007

"Creep" e o livro mau escrito.

Falava com um amigo sobre nossas vidas insípidas, enquanto no "Winamp" rolava Radiohead. Então, ironicamente, começou a tocar "Creep"...

"But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here."

Estou próximo de completar 27 anos, e estas palavras ainda retumbam dentro de mim como trovões repercutindo no céu de chumbo, apesar de eu não ser mais um adolescente, no auge da revolta contra a humanidade e contra mim mesmo.

Aprendi muita coisa desde que tinha 15 anos; tornei-me uma pessoa melhor sob muitos aspectos, e grotesca, sob outros. Algumas características de minha personalidade perderam a força, outras se intensificaram.

Ainda me considero um esquisito e sei que, infelizmente, eu pertenço sim, a este lugar horrível. Esta aceitação só ocorreu quando consegui enxergar a beleza sutil escondida nas entranhas do cachorro estraçalhado na rua após ser atropelado... certo, estou brincando. Mas é algo como perceber que existe algo de bom escondido nas entrelinhas de um romance que, a princípio, é muito mau escrito. Além disso, este lugar horrível comporta todos os tipos de indivíduos, até mesmo os esquisitos.

O livro mau escrito de nossas vidas. Somos autores péssimos, escrevemos ponochanchadas, filosofia de botequim, auto-ajuda e evangelização. Ainda assim isto nos satisfaz, e quase nunca levamos nossa história ruim para o túmulo.

A discussão sobre os prós e contras desta última colocação ficam pra outra hora.

Essa maldita história tem se repetido com sutis modificações, desde que surgiu a humanidade. Se todos levássemos essas coisas patéticas para nossos túmulos, sempre que nascesse alguém, uma nova história teria início. Mas como escrevi no parágrafo acima, algum dia penso melhor no assunto...

Domingo, Agosto 13, 2006

O cabelo e tudo mais...



Ah esse cursor que pisca infinitamente indefinido. Ele não sabe para onde ir, ele só sabe que precisa estar preparado para o momento em que for dada a partida.

Eu não sou como ele. Quase nunca estou preparado, e quando soa o disparo eu acordo e lembro que preciso correr. Como na canção, eu perdi “the starting gun”.

...

Eu preciso cortar o cabelo. Como está não pode ficar. Ele se assemelha a algo indefinido cor de palha pálida.

Assemelhar-se a algo indefinido? É um paradoxo. Ou talvez não, pois tudo tem uma definição, mesmo que a desconheçamos. Uma coisa é algo de que não sabemos o nome. É algo indefinido, unicamente porque nenhum ser humano lhe deu um nome. É algo assim como um rabisco num papel, dá margem a incontáveis interpretações?

O que é esse “algo indefinido” a que se assemelha meu cabelo? Um grotesco bicho de pelúcia? Um ninho de algum animal maldito, ou ridículo? Uma matéria importante para o estudo da física quântica? Não sei. Tudo o que sei é que preciso dar um fim a ele.

...

E então eu percebi que precisava de um update. Este blog imprestável, que serve apenas como reservatório de minhas idéias inconcluídas, precisava de uma atualização, assim como minha vida também precisa. Incrível a capacidade do ser humano de construir espelhos de si próprio. A escrita é o meio mais óbvio, mas existem outros, como as atividades que realizamos em nosso cotidiano, o modo como nos dirigimos às pessoas, a música que ouvimos, os deuses aos quais louvamos...

...

Atualmente minha vida se resume a um ir e vir, andando em círculos no mundo virtual. Assim como em outros momentos de minha vida, eu começo a me distanciar do centro de gravidade do círculo vicioso, indo reto para uma direção óbvia. Logo encontrarei novamente um outro centro de gravidade mais poderoso, e então ficarei preso, de novo. Se eu tenho um destino, eu já o encontrei. Se eu tenho uma sina, eu já a encontrei.

...

Quarta-feira, Agosto 31, 2005

Fantasias mortas.

Guardei todas as fantasias. Retirei do armário, uma a uma, e as dobrei, dobra por dobra.

As duas primeiras, jamais as usei, pois elas nunca me serviram. A terceira, amarela, iluminou em minha memória uma espécie de vergonha do ridículo quando eu a vesti; como quando eu estava vestido para o primeiro dia de aula, ainda criança.

Mais duas se seguiram, e logo ali estava eu, pronto para crescer. Eu seria tudo, eu estaria salvo com as fantasias.

Ajoelhado no chão, dobrava com asseio as fantasias, e em minha memória sibilava debilmente o grito por tudo o que poderia ter sido e que ficou enclausurado e morreu, imago que se tornou cinzas.

Quinta-feira, Agosto 25, 2005

Homenzinho


Outra madrugada, e desta vez o vento está varrendo os vestígios da crueldade impreganada no ar; gritando como que para espantar as sensações angustiadas e reprimidas de todos os seres humanos que não compreendem o quanto sofrem.

Perambulando sozinhos acabamos percebendo o quanto somos enganados, o tempo todo, pela vida. Alguma espécie de inclinação natural à tragédia nos leva sempre a perceber no último ato que tudo o que fizemos foi em vão. Sadicamente, ela - a vida - nos mostra afinal o quanto se divertiu às custas de nossa fraqueza e ingenuidade.

Talvez fosse realmente melhor ser ignorante, ou acreditar em uma divindade qualquer. Subterfúgios são sempre mais fáceis de manter, demandam apenas uma certa persistência em acreditar que não há equívoco.

Isso tudo é inútil. Mais vale o absoluto esquecimento. Como não posso tê-lo, sigo queimando impotente, mais baixo que o Inferno...

2.

Terça-feira. Enquanto leio um livro dentro do ônibus, mal percebo o homem frenético que se senta ao meu lado. Após alguns instantes, começo a perceber uma movimentação de mãos e cabeças, então me dou conta de que há alguém gesticulando e falando alto para o homen sentado no banco mais próximo; eu olho para o homem no outro banco e o vejo recostando-se com os olhos fechados. O homenzinho com quem divido o banco tem o cabelo como se tivesse acabado de cortá-lo. E o odor de seu suor é sutilmente percebido por minhas narinas. Eu não ouço o que ele diz, pois estou ouvindo música no discman, percebo, no entanto, que ele fala com o nada. Ou com qualquer um que esteja presente no nada. Antes que perceba que é observado, eu me viro. Sua agitação causa incômodo. De soslaio percebo que ele para de falar com ninguém e inicia um solilóquio. Olha para suas mãos, com as unhas perfeitas, brilhantes, cortadas e com as cutículas aparadas; esconde-as sob as axilas, cruzando os braços, mas logo começa a observá-las novamente. Ele flexiona as mãos, cerra os punhos. Olha para outras direções. Mas logo volta seus olhos novamente para suas mãos, como um cleptomaníaco em frente a um objeto ao qual não consegue resistir. Sua ansiedade torna-se um ser que pode ser visto e tocado. Torna-se Ansiedade. A Ansiedade cresce e o envolve, açoita sua mente como uma culpa. Suas unhas tão perfeitas. Ele leva uma das mãos até a boca mas para na metade do caminho. Dentro dele trava-se uma luta de monstruosidades. Ele sabe que se levar a mão até os lábios, toda a calma e paciência, o tênue controle, será destroçado. Ele olha fixamente suas unhas, cerra seus punhos, olha para todos os lados tentando não se desesperar, já está cansado de conversar consigo mesmo. O ônibus chega em meu ponto de descida.

Depois de descer, desagradavelmente percebo que o homenzinho está dentro de mim; seu suor invade minhas narinas, ele olha para todos os lados tentando encontrar um ponto de fuga. Olha para suas bonitas unhas e tudo o que sente vontade de fazer é dilacera-las. Arranha dentro de meu cérebro para sair. Enquanto isso eu aguardo, repleto de impotência, até que a barreira de ossos esteja frágil o suficiente...

(imagem: Delirium)

Sábado, Agosto 20, 2005

Don't forget to remember me...

E a noite vai indo embora junto com os acordes nostálgicos de "Don't forget to remember me". Vejo a mim mesmo, criança, acompanhando minhas irmãs num dia ensolarado, ouvindo um velho disco de Bee Gees na vitrola. Eu estava feliz. Eu era feliz, mas o estado de felicidade pueril ao qual me refiro deixou de existir a partir do momento em que comecei a crescer, e cresci até o ponto em que a felicidade já não passa de uma lembrança nostálgica.

Agora, com os olhos pregados e os ouvidos aguçados, ouço no computador as canções das quais um dia ri, sem ter a menor noção do vulto que elas tomariam em minha maturidade. Maturidade, essa que chega aos poucos e parece nunca chegar. Ah, dias ensolarados...

Enquanto a noite aos poucos se despede, descubro que seu silêncio é o mesmo que faz calar os meus lábios. E que faz a música percorrer e atravessar - em um átimo - o infinito corredor que se projeta sobre minha memória.

Lá se vão minhas irmãs com a noite. Lá se vão as canções, as flores, a estrada, os postes... minha casa. E por mais que eu repita "Fiquem!", obstinado, como que contando um rosário, eles permanecem se afastando de forma inabalável.

Talvez algum dia eu aprenda - e compreenda - o significado da palavra "Adeus"...

(imagem:
Friedrich, Caspar David)