Falava com um amigo sobre nossas vidas insípidas, enquanto no "Winamp" rolava Radiohead. Então, ironicamente, começou a tocar "Creep"...
"But I'm a creep, I'm a weirdo.
What the hell am I doing here?
I don't belong here."
Estou próximo de completar 27 anos, e estas palavras ainda retumbam dentro de mim como trovões repercutindo no céu de chumbo, apesar de eu não ser mais um adolescente, no auge da revolta contra a humanidade e contra mim mesmo.
Aprendi muita coisa desde que tinha 15 anos; tornei-me uma pessoa melhor sob muitos aspectos, e grotesca, sob outros. Algumas características de minha personalidade perderam a força, outras se intensificaram.
Ainda me considero um esquisito e sei que, infelizmente, eu pertenço sim, a este lugar horrível. Esta aceitação só ocorreu quando consegui enxergar a beleza sutil escondida nas entranhas do cachorro estraçalhado na rua após ser atropelado... certo, estou brincando. Mas é algo como perceber que existe algo de bom escondido nas entrelinhas de um romance que, a princípio, é muito mau escrito. Além disso, este lugar horrível comporta todos os tipos de indivíduos, até mesmo os esquisitos.
O livro mau escrito de nossas vidas. Somos autores péssimos, escrevemos ponochanchadas, filosofia de botequim, auto-ajuda e evangelização. Ainda assim isto nos satisfaz, e quase nunca levamos nossa história ruim para o túmulo.
A discussão sobre os prós e contras desta última colocação ficam pra outra hora.
Essa maldita história tem se repetido com sutis modificações, desde que surgiu a humanidade. Se todos levássemos essas coisas patéticas para nossos túmulos, sempre que nascesse alguém, uma nova história teria início. Mas como escrevi no parágrafo acima, algum dia penso melhor no assunto...